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ESTAR
Esferográficas cortam palavras no céu da boca, como facas: assim, letras inertes cedem ao tempo e calam sílabas agudas.
Pouco áspero será o gomo de teu verso, esse avesso do gesto, a poesia na xícara de veneno.
Pouco o nítido sentir o líquido de teu pressentimento como se fosse possível calar para sempre.
Nada senão a gilete enfiada na pele, a face neutra do olhar enfermo: enfim a planta na raiz de teu pomar, enfim o fim da espera, do estar.
envio carlos machado, poesia.net
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